Colunista de jornal espanhol sugere Nobel da Paz para bombeiros que atuam em Brumadinho

RIO — "Foram eles, anônimos, mal pagos, que não hesitaram em colocar as próprias vidas em perigo para salvar a de outros. Foram eles que nos ofereceram um pouco de oxigênio quando começávamos a desconfiar de tudo e de todos". Com estas palavras, o colunista Juan Arias, do jornal El País, defendeu a entrega do prêmio Nobel da Paz aos bombeiros que participaram das buscas e do resgate de vítimas do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, Minas Gerais, há uma semana.

"Esses bombeiros fizeram de suas mãos, afundadas em toda a lama mortal, um instrumento de paz e de ilusão de poder encontrar vida", escreveu o colunista.

O colunista ressalta que o Brasil, o qual classificou como "coração econômico do continente", nunca conquistou a láurea sueca em qualquer área. Enquanto isso, a Argentina soma cinco prêmios da Academia sueca; o México, três; a Colômbia e a Guatemala, dois. Venezuela e Peru têm um Nobel cada. Para ele, a atuação dos bombeiros em Brumadinho coloca a oportunidade de incluir o país no rol dos premiados, já que os profissionais "conquistaram a simpatia e a admiração dentro e fora do país como exemplo de abnegação".

Arias destaca que "poucas vezes" tantos brasileiros haviam se identificado desta forma com os bombeiros. No texto, ele especula que tamanha conexão possa ser fruto de os brasileiros "viverem um momento de perplexidade e poucas esperanças". Ou então porque os resíduos tóxicos da mina de Brumadinho possam ser vistos como "metáfora política do país, envolto em lodo de corrupção, violência e desamparo social".

"Milhões de brasileiros, de fato, se identificaram, sem diferenças políticas, em um movimento de solidariedade com os bombeiros salva-vidas que conseguiram criar um clima de alento em um contexto de polarização asfixiante. Os bombeiros conseguiram o milagre de unificar por um instante um país quase em guerra", ressaltou Arias.

O GLOBO
A.M

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