Foto: Claudio Tomas / Assessoria

Colombo: Governo não deveria ter fechado tudo tão cedo

Senador de 2007 a 2010 e Governador de 2011 a 2018, Raimundo Colombo estava em visita a diversas cidades da região e passou também por Piratuba. O político que concorreu ao senado nas eleições de 2018 se dedica agora a leitura, se preparando e ouvindo as pessoas, com viagens ao Brasil e fora dele para tentar entender os novos movimentos.

Na passagem por Piratuba, concedeu entrevista para a Piratuba FM. Colombo comentou sobre o panorama do novo coronavírus, acreditando que o estado se precipitou demais para fechar tudo ainda no mês de março, em regras rígidas contra a pandemia. Também julgou o erro que Moisés fez ao se distanciar de Bolsonaro. Mas falou também das mudanças que a sociedade exige, de forma profunda, sem essa de “nova política ou velha política”.

Os principais trechos você acompanha abaixo:

Governador Colombo, você está fazendo um “tour” aqui em Piratuba, Ipira e região. Como está a vista aos municípios?

Você sabe que, uma das coisas boas nas relações humanas é você poder visitar as pessoas, dar um abraço, trocar ideias, ouvir, sentir o que está acontecendo. Então estamos fazendo um roteiro, nesta semana, mais de 20 municípios e aí você consegue conversar com os amigos, ver o que está acontecendo, que é um movimento de mudança na sociedade, existem grandes transformações, a gente lê muitos livros, mas nada é melhor do que ir conversar com as pessoas, ir ver o que está acontecendo, ver como elas estão pensando, qual é a visão que elas têm. Então pra mim tá sendo essa rica experiência de voltar a ter uma convivência mais próxima, pela atividade que eu exerci antes não era possível por que você tinha uma agenda muito pesada e não tinha condições de fazer isso que eu procurei fazer a minha vida inteira.

Colombo, situação do país, do estado por conta do coronavírus ainda está complicada e o turismo vai voltando aos poucos. Como gestor público a sua voz é ouvida, mesmo tendo passado duas vezes a cadeira do governo do estado. Como que está a expectativa pra volta do turismo?

É grande, e ao mesmo tempo é uma preocupação, por que eu to vendo agora que os dados de crescimento da pandemia em Santa Catarina voltaram a crescer, esse feriadão deu ali uma mexida nisso. Claro, o verão é um indicador positivo por que o vírus tem muita dificuldade de se multiplicar no verão, a Europa tá acontecendo o inverso por que lá tá no inverno. Nós só vamos ter uma solução definitiva com a vacina e a vacina nós não temos ainda. Então tem que ter muito cuidado pra que isso não se agrave. Mas claro, a economia tem que voltar a girar, as pessoas precisam de trabalho com todos os cuidados, e isso vai acontecendo. Não tenho dúvida que estávamos numa fase de retomada, tem muita coisa por fazer ainda, nós temos que administrar as consequências disto, da saúde, economia com o problema do desemprego, o estado se endividou muito para fazer frente a pandemia. Essa pandemia tem várias faces: tem a face da saúde, tem a face da economia, tem a face social com o desemprego com a perda do poder aquisitivo que está ocorrendo, isto gera uma crise política.

E na parte econômica, o estado fez a sua parte ou poderia ter feito mais?

Acho que o estado, na arrancada, ele fechou tudo muito cedo, deveria fechar onde existia, se não tinha nenhum caso em SC, e você fechar o estado inteiro no dia 19 de março, a coisa foi se complicar lá na frente. Então existia um protocolo que deveria ter sido seguido que é: aonde não tem nenhum caso, vida normal, orientação pras pessoas, orientação nas fábricas, nos hotéis, na entrada da cidade. Esse era o procedimento, o certo não era fechar naquele momento, isso foi um, e eu não to falando de uma opinião pessoal, é um protocolo de Defesa Civil que orientava nessa direção: aonde você tinha um caso ou dois você tinha que monitorar esses casos, então você entra em uma segunda fase. Na terceira, quando a pandemia se multiplica, você entra em uma posição mais radical. Não foi isto o que foi feito, acho que foi um erro e prejudicou a economia do estado.

Colombo, não só o problema da pandemia, mas sim política. Você passou por duas vezes ao governo do estado. Nesses dois anos que o Moisés e a Daniela estão governando, uma vitória acachapante nas urnas, qual foi o principal erro que o governo está colhendo agora, por que quem planta, colhe?

Eles cometeram muitos erros, eu acho que politicamente, romper com o Presidente da República foi um erro, por que ele se isolou, ele achou que ele era o líder, na verdade ele foi resultado de um movimento do Bolsonaro. Então você vai romper com quem te deu os votos é um negócio meio idiota, então ele ficou sem apoio político nenhum. Aí a pessoa despreparada, fica vaidosa, não quer conversar com ninguém, acha que sabe tudo, que é o dono de tudo, começa a criticar tudo. E aí, quando precisou não tinha ninguém ao seu redor. E aí cometeram os erros que levaram a um processo de cassação que nunca tinha acontecido na história de SC, na história de nenhum estado do país. Então é uma pena que está acontecendo, é triste pro nosso estado, prejudica o nosso estado, é desagradável pra todo mundo. Infelizmente, as pessoas não têm a noção exata, faltou experiência, faltou conhecimento, faltou humildade para governar. Por que quando você governa, você não é o dono, você apenas é o coordenador, o líder, o protagonista, e se acha que é o dono as pessoas também se afastam de você. É uma pena, eu fico triste que isto esteja acontecendo e eu acho que o prejuízo pra SC é muito grande. O governo não existe, ele critica as obras, mas ele está terminando as obras que existiam, não tem nenhuma inspiração, não tem nenhuma luz. E as pessoas sabem que deu errado né e é uma pena que SC tenha que pagar esta conta.

Qual a figura do PSD, já está se preparando para um eventual governo interino, já está se preparando para esta queda do Moisés e da Daniela, o PSD estadual como está se comportando?

Nesse momento a nossa prioridade é a eleição municipal, essa situação de impeachment é uma coisa da Assembleia, a ser tratada pelos deputados, pela justiça, pela polícia. Essa não é uma questão política partidária. Vai ter a aceitação ou não do pedido de impeachment, se houver vai ter o afastamento até 180 dias e cabe aos deputados encaminhar essa direção.

Colombo, uma última pergunta. Raimundo Colombo no cenário estadual e na figura do PSD. Como que está a vida política, projeções, voos mais altos?

Olha, o que que eu to fazendo? Foi um período muito intenso, exigiu muita energia da gente, eu gosto muito de ler, fazia tempo que eu não podia mais ler. Agora eu estou lendo muitos livros, eu to vendo essa realidade que ta mudando, to muito interessado em entender essas mudanças. Eu fiz alguns cursos no Brasil, fora do Brasil, nos EUA, na Espanha, para entender e ter essa compreensão precisa, por que as pessoas não falam de nova política, velha política, o que elas querem é essas mudanças e essas mudanças não são de pessoas ou de siglas, mudanças estruturais. Nós precisamos fazer com que elas aconteçam e pra isto a gente tem que se preparar. Então, eu tenho procurado fazer isto.

Leandro de Souza - Rádio Piratuba FM

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