Programa espião que atacou o WhatsApp acessava a câmera dos smartphones

Quem ainda não atualizou o WhatsApp - aplicativo de troca de mensagens instantâneas mais popular do mundo com 1,5 bilhão de usuários - pode estar com sua segurança cibernética e privacidade ameaçadas. Segundo informações do jornal inglês Financial Times, hackers encontraram uma falha de segurança no programa e instalaram um spyware em celulares - tanto do sistema Android, quanto do iOS – quando era acionada a função chamada telefônica do aplicativo.

A companhia, pertencente ao Facebook, reconheceu a falha, lançou uma atualização para corrigi-la e aconselhou as pessoas a baixarem a nova versão.
O mesmo jornal apontou que há suspeita de que o código malicioso tenha sido criado pelos israelenses do NSO Group, que já foi acusado de ajudar governos do Oriente Médio e até o México a espionar ativistas e jornalistas.
Jéferson Nobre, professor do Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), explica que, segundo os desenvolvedores do WhatsApp, o objetivo deste código malicioso era ter o controle da câmera do celular em tempo real. Porém, há indicativos de que o programa espião estivesse em busca de outras informações.

— Essa mesma empresa de Israel tem um outro programa que permite ter acesso à localização do aparelho. Então, se supõe por analogia que, talvez, eles estivessem tentando coletar mais informações do que as da câmera — afirma Nobre.
Outro produto conhecido dessa companhia é o Pegasus, um programa invasivo que pode ativar remotamente a câmera e o microfone de um determinado telefone e acessar seus dados.

Em entrevista para a Rádio Gaúcha, nesta terça-feira, o delegado de Polícia e especialista em Investigação de Crimes Cibernéticos e Segurança da Informação Emerson Wendt vai além. Ele diz que esses aplicativos podem ter acesso a praticamente tudo que está contido no celular, não somente à câmera, mas também a aplicativos bancários, por exemplo. Mas faz a ressalva de que este tipo de ataque tem alvos específicos.

— Pelo histórico desses ataques, eles são bem direcionados, têm alvos específicos que têm algum tipo de informação que o controlador do código malicioso deseja, como informações de troca de e-mails, mensagens etc — diz Wendt.
Jéferson Nobre acrescenta que, diferentemente de um vírus que se propaga automaticamente, o spyware espiona e coleta informações dos usuários sem seu consentimento e as transmite pela internet:

— O vírus é um software que se replica e infecta computadores e smartphones pela reprodução desenfreada. Neste caso do WhatsApp, era necessário fazer uma chamada para que o código malicioso fosse instalado.
Para ficar livre de qualquer receio quanto à segurança de seus aplicativos de mensagens, confira o passo a passo da atualização deste software.

Fonte: Diário Catarinense
A.M

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